Eu queria parar de reclamar
Reclamar sensações, sentimentos, emoções, dores, prazeres.
Ignorante do caralho, não consigo ver outra saída
Se eu expressasse todas as dores, será que você iria aguentar ficar de pé?
Eu nunca desistiria de você, não é do meu feitio
Não é do meu tipo simplesmente desligar a tomada.
(mesmo que eu já tenha feito isso antes).
Nenhuma novidade trará o frescor da brisa de outono o horizonte
Nenhuma novidade trará o pôr do sol rosado, com aquelas nuvens que dizem que tudo é passageiro
Até a vida.
A dualidade, vida e morte, alí expressa na tua cara.
Eu sei que o mundo só existe por que estou aqui, por causa da minha concepção
Ao não existir, pelo menos aqui, o mundo não existe, desiste de me chatear.
Mas mesmo assim, ficará aqui, pra sempre, pra depois, pra todo mundo (menos eu)
Aí a carne podre deve putrificar de vez.
Meu corpo, pureza diabólica volta pra terra
Pra ser consumido por todos os seres que eu mais tenho nojo.
Um dia me disseram que eu estava no caminho certo, apenas escrevendo em linhas tortas
Quem sabe um dia tudo melhora? Tudo se acerta.
Espero pelo amanhã da mesma forma que você, conto os dias, a morte se aproxima
Conto os momentos, as relações, as casualidades da minha vida.
E no final ela vale a pena ser vivida.
Porém
Não há razão em não morrer sem algumas cicatrizes.
Algumas mais profundas, outras superficiais
E há também aquelas que os outros olham e dizem: mas nem tá doendo!
E parece um pedaço de ti que ficou pra trás, em carne viva, aberta, vazando seus fluídos
Vazando suas emoções
Vazando seus desejos
Vazando um pouco de você aqui e acolá.
Para cada minuto, uma sensação diferente.
A razão de viver é sentir, se emocionar, se irritar.
É amar.
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