Eu não gosto de policia
Queria todos mortos
Eu não gosto de bandido
Queria todos mortos
Eu não gosto de político
Queria todos mortos
Eu tenho medo
Eu tenho receio
Por isso todos deveriam morrer
Quem deveria proteger, mata, rouba, extorque
Eu tenho medo
Tenho medo do cara do lado, no carro ao lado
Tenho medo do motoqueiro
Tenho medo da sua reação, da minha
Eu não sei controlar meus impulsos, posso ser um monstro
E você, se fizer jus a tua causa, também
Eu não dou a mínima, eu já desisti
Sou o pai que abandona o filho
O filho que abandona a mãe
Carrega consigo apenas cicatrizes da turbulência gerada pelos irmãos
Eu tenho medo do cidadão pagador de impostos, ele fala demais e age pouco
Eu tenho medo do empresário mesquinho, que dorme todo dia com uma mulher diferente
Que num mês ganha mais do que eu num ano e me suga todas as as forças
Eu tenho receio, receio dos médicos e suas opiniões
Eu tenho medo dos favelados, não sei quem é bandido ou gente boa
Tenho medo dos religiosos fanáticos, pois minha religião é de raíz africana, da terra
Eu tenho medo dos acidentes, tenho medo de alguém carregar césio pra dentro da minha casa pensando que é algo místico
Eu tenho medo da burrice alheia
Eu tenho medo dos brancos do sul
Eu tenho medo dos madeireiros do norte
Eu tenho meu do povo do centro e sudeste e suas vidas malucas
Eu tenho medo da seca do nordeste
Eu vejo a beleza, mas sob a matiz do medo
Tudo é medo e receio
Eu tenho medo dos manifestantes, eles querem tantas coisas, gritam, mas o que fazem afinal?
Eu só queria não ter medo
Pagar meus impostos, que fossem justos, trabalhar todo dia pra construir algo pra todos
Não pro idiota de bmw achando que é melhor que eu só por que o pai pagou os estudos
Mas sim para que todos nós fossemos os idiotas de bmw.
Nenhum comentário:
Postar um comentário