sábado, 28 de março de 2009

Corpo morto

De todos os demônios
Apenas dores
Nenhuma tentação
Nenhuma palpitação
Que seja um sonho perdido, não ligo
E nem pedi algo, ainda
E me nega, incrível...
E me têm em mãos...
Porém digo: é engraçado
Engraçado demais
Como um bobo e despreparado eu pode cair em tantas armadilhas
Armadilhas minhas...
Eu preferiria desacreditar de vez
Eu prefiro
Eu anseio
Eu desejo


Uma noite muda tua vida
E após essa noite, tudo volta ao normal
Eu preferiria esquecer

Apenas eu viverei minha odisséia
Não tenho mais medos de decisões
O único culpado delas agora sou eu
O único que pode perder ou ganhar
E mesmo assim
Mesmo dessa forma
Eu sou uma mentira
E um sonho esquecido
De mais uma mente perversa e insana
Que se espreita por esse mundo
A procura de dores
Desejando ser imortal e irracional
Porém é podre como todos os outros humanos.

Corpo morto
Mente podre
Da realidade
Da verdade
Do meu eu interior e exterior
Desde quando essa percepção traz algo bom?
Desde quando?

Corpo morto
Mente podre
Mente podre
Mente podre
De tão brilhante
De tão fresca

Pedras e paus não machucam tanto como desejos suprimidos
Pedras e paus não trazem nada de bom

Corpo morto
Mente podre
Mente podre
Mente podre
Transforma seus sonhos em desejos
Desejos que nunca se realizarão
E assim, desta forma
Cria dor
Cria anseios extremos
Cria um rei em tua barriga
Um rei egoísta
Sujo

Ajuda-me
Ajuda-me de verdade
Serei tão grande quanto quiser
Se puder olhar em teus olhos e ver compaixão

Abraça-me e diga que sou fraco
Que preciso de você
E me deixe crescer



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